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Responsável da unidade

Dra. Marisa Peres

Recursos Humanos

Equipa Médica

Dra. Marisa Peres

Dr. David Durão

Equipa de Enfermagem

Enf.ª Fátima Esteves

Enf.ª Olinda Monteiro

O que é a Insuficiência Cardíaca?

Pode ser definida como a incapacidade de o coração bombear o sangue de modo adequado a suprir as necessidades do organismo. Pode resultar da evolução da maioria das doenças cardíacas, nomeadamente das miocardiopatias (dilatada, hipertrófica ou restritiva); da doença coronária (que pode cursar com enfarte do miocárdio, em que a zona do coração destruída deixa de contribuir para a função de bomba cardíaca); das doenças valvulares (sobretudo estenose ou regurgitação das válvulas aórtica e mitral); ou ainda da hipertensão arterial, tão comum, e que é essencial controlar precocemente para que não evolua para a fase da insuficiência cardíaca.

Existem do ponto de vista funcional dois tipos de insuficiência cardíaca: os casos em que há disfunção sistólica (ou seja, em que o problema está na contracção do miocárdio, porque o músculo está fraco e como tal bombeia pouco sangue – é o que acontece na miocardiopatia dilatada), e os casos em que função sistólica está conservada mas o coração tem dificuldade em receber o sangue para depois o ejectar, porque o músculo está hipertrofiado, e por isso a cavidade é pequena – é o que acontece na miocardiopatia hipertrófica). Esta segunda forma de insuficiência cardíaca (com disfunção diastólica) é mais frequente nos idosos e nos doentes com outras doenças associadas, e em particular nos hipertensos.

Os sintomas e sinais mais frequentes da insuficiência cardíaca são o cansaço e a falta de ar precipitados por pequenos esforços ou pelo deitar com a cabeça baixa (ortopneia), e o edema maleolar (dos tornozelos) e das pernas.

Para o diagnóstico de insuficiência cardíaca, a história clínica e o exame objectivo são fundamentais, mas é essencial recorrer ao apoio de alguns exames complementares de diagnóstico, como o electrocardiograma, algumas análises (onde se inclui o BNP, que tem valor diagnóstico e prognóstico), e em especial o ecocardiograma, que permite avaliar a função sistólica e a função diastólica e a presença de doença valvular, entre outros parâmetros.

Os doentes com insuficiência cardíaca necessitam de cumprir diariamente um esquema terapêutico por vezes extenso, e precisam de vigilância regular, para optimização terapêutica, não esquecendo que as descompensações são frequentes e devem ser alvo de intervenção atempada.

Porquê a criação da Unidade de Insuficiência Cardíaca?

A Insuficiência Cardíaca é um síndroma clínico cada vez mais prevalente em todo o mundo, estimando-se que afecte só em Portugal mais de 260 mil pessoas. Constitui na grande maioria dos casos uma patologia crónica, com frequentes descompensações e hospitalizações, cursando por isso com grande morbilidade, elevado impacto na qualidade de vida dos doentes e nos recursos económicos dos Serviços de Saúde, e podendo ter reservado prognóstico a médio prazo.

No passado, pouco havia a oferecer a estes doentes. Contudo, as últimas 2 décadas trouxeram avanços notáveis à sua terapêutica: novas opções medicamentosas, revolucionários dispositivos cardíacos, como o pacemaker biventricular e o cardioversor desfibrilhador implantável, e ainda soluções cirúrgicas para alguns casos selecionados de acordo com a doença, como cirurgias valvulares ou coronárias ou mesmo o transplante cardíaco. Estas novas terapêuticas permitiram diminuir de modo substancial a morbilidade e a mortalidade associada à insuficiência cardíaca. No entanto, os estudos epidemiológicos mostraram durante muito tempo uma clara sub-utilização destes recursos, comprometendo o prognóstico dos doentes.

Apareceram então estudos mostrando de modo inequívoco os benefícios da criação de Unidades de Insuficiência Cardíaca, com consultas especializadas, destinadas em particular ao grupo de doentes com disfunção sistólica, permitindo a aplicação sistemática das recomendações internacionais para a optimização da terapêutica médica e o recurso quando indicado às intervenções específicas, com claro impacto prognóstico.

Nos últimos anos, implementou-se também a consciência da fundamental participação activa e consciente do doente no seu plano de tratamento, da sua integração na “equipa de prestadores de cuidados”, percebendo-se que o reconhecimento atempado e a intervenção precoce sobre eminentes descompensações permite evitar internamentos e re-internamentos hospitalares.

Foi neste contexto que surgiu o conceito de Hospital de Dia de Insuficiência Cardíaca.

Caracterização da Unidade de Insuficiência Cardíaca

A Unidade de Insuficiência Cardíaca do Serviço de Cardiologia de Santarém nasceu em 2005 com a criação da consulta de Insuficiência Cardíaca, á qual se veio juntar em 2006 o Hospital de Dia.

A Unidade tem como população alvo os doentes ambulatórios com grave disfunção sistólica ventricular esquerda sem solução etiológica específica (como valvular ou isquémica revascularizável), sem co-morbilidades graves que condicionem mais a vida do doente que a própria insuficiência cardíaca.

A Unidade de Insuficiência Cardíaca tem vindo a assumir uma relevância crescente na qualidade dos cuidados prestados aos doentes, sendo contudo importante salientar que tal é possível graças ao esforço, organização e boa vontade dos profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) que exercem funções na Unidade de Insuficiência Cardíaca, uma vez que com essas funções acumulam (muitas vezes em simultâneo) várias outras actividades no Serviço de Cardiologia (como assistência a doentes internados, realização de exames e de consultas de Cardiologia Geral e serviço de urgência).

A Unidade de Insuficiência Cardíaca é para muitos doentes um porto seguro, na certeza de se sentirem apoiados e bem tratados, para terem mais e melhores anos de vida.

Consulta de Insuficiência Cardíaca

            A Consulta de Insuficiência Cardíaca foi criada com os seguintes objectivos:

  • Optimização máxima das terapêuticas farmacológicas com efeito demonstrado na redução da mortalidade e na melhoria da qualidade de vida destes doentes;
  • Identificação de doentes candidatos a alternativas terapêuticas não farmacológicas como a ressincronização cardíaca e a implantação de cardio-desfibrilhadores;
  • Identificação e orientação de doentes candidatos a transplante cardíaco, através da articulação com centros de transplante;
  • Inserção dos doentes num programa de cuidados multidisciplinares integrados para aumentar a aderência à terapêutica, melhorar a qualidade de vida e reduzir o número de internamentos hospitalares.

Decorre em 2 períodos semanais, de que são titulares a Dra. Marisa Peres e o Dr. David Durão.

Hospital de Dia de Insuficiência Cardíaca

O Hospital de Dia de Insuficiência Cardíaca foi concebido para ser utilizado pelos doentes da consulta de Insuficiência Cardíaca, mas é também frequentemente utilizado para o benefício de doentes seguidos na Consulta de Cardiologia Geral, e em especial após internamento no Serviço de Cardiologia, como espaço privilegiado para o ensino e educação sobre a doença, para início e vigilância de tratamentos específicos (incluindo controlo de INR na fase inicial da terapêutica anticoagulante) e para a administração endovenosa de fármacos em situações de descompensação eminente, por forma a controlá-las precocemente e assim evitar internamentos.

Entrou em funcionamento no início do ano 2006, estando inicialmente localizado no interior da enfermaria de Cardiologia, no espaço possível, numa sala adaptada para o efeito, dotada de 2 cadeirões, com monitorização tensional, electrocardiográfica e rampas de oxigénio. Contudo, esta localização inicial tinha o grande inconveniente de condicionar o acesso dos doentes através da Unidade de Internamento, com a inevitável invasão da privacidade daquele espaço. Desde logo se procurou um novo espaço que reunisse condições de proximidade ao Serviço mas com independência física da Unidade de Internamento. Este novo espaço veio a concretizar-se em Janeiro de 2013 com o aproveitamento e remodelação da antiga sala de espera do piso 7.

O Hospital de Dia funciona de segunda a sexta-feira das 8 às 16 h, sendo a maioria das sessões agendadas com periodicidade ajustada a cada doente, e as restantes combinadas após contacto do doente por agravamento clínico.

É mais uma vez de salientar o bom funcionamento do Hospital de Dia, apesar da escassez de recursos humanos, que impede que haja um médico e um enfermeiro escalados exclusivamente para aquele espaço. Cada doente é assim orientado pelo respectivo médico, com o apoio necessário da equipa de enfermagem, sendo impossível deixar de salientar o magnífico trabalho da enfermeira Fátima Esteves, que muitos doentes sentem como uma verdadeira amiga.