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Enfermagem é a profissão que, na área da saúde, tem como objetivo prestar cuidados de enfermagem ao ser humano, são ou doente, ao longo do ciclo vital, e aos grupos sociais em que ele está integrado, de forma que mantenham, melhorem e recuperem a saúde, ajudando-os a atingir a sua máxima capacidade funcional tão rapidamente quanto possível (REPE, 1996).

Os cuidados à pessoa com patologia cardíaca têm vindo a desenvolver-se muito rapidamente, sustentados nas evidências produzidas pela vasta investigação realizada nas últimas décadas, que apoiam as intervenções que têm contribuído de forma efetiva para reduzir o sofrimento da pessoa e facilitar a sua reabilitação o mais precocemente possível, promovendo assim uma melhor qualidade de vida.

Neste sentido, a equipa de enfermagem do serviço de cardiologia presta cuidados que têm como foco de atenção a promoção dos projetos de saúde que cada pessoa vive e persegue, assumindo particular importância a prestação de cuidados de enfermagem mediados por uma relação de confiança, em que a pessoa/família é o centro de todo o processo de cuidados, dando cumprimento ao mandato social da profissão de enfermagem, do qual emerge uma forte missão educativa designadamente, no âmbito da promoção da saúde, respondendo às necessidades humanas fundamentais, maximizando a independência na realização das atividades da vida.

Projeto de Reabilitação Cardíaca do Serviço de Cardiologia

De acordo com a Carta Europeia para a Saúde do Coração (2008), “o peso associado da doença cardiovascular estabelecida pode ser reduzido com um diagnóstico precoce, tratamento adequado da doença, reabilitação e prevenção, nomeadamente através do aconselhamento em prol de um estilo de vida mais saudável”. A reabilitação é deste modo, eficaz na redução da sobrecarga da incapacidade e na potenciação das oportunidades de vida para os indivíduos incapacitados. O seu objetivo global consiste em permitir que os indivíduos incapacitados possam conduzir as suas vidas do modo que desejem, no contexto das restrições impostas pelas incapacidades resultante de doenças ou lesões sobre as suas atividades e no seu contexto pessoal, promovendo o bem-estar do individuo e a sua participação social e vocacional (LIVRO BRANCO DE MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO NA EUROPA, 2009).

A reabilitação cardíaca/prevenção secundária, tem sido reconhecida nas últimas quatro décadas como um componente significativo de um continuum no tratamento da pessoa com doenças cardiovasculares. Atualmente, programas de Reabilitação cardíaca são “programas a longo prazo, envolvendo avaliação médica, prescrição de exercício, modificação de fatores de risco cardíaco, educação e aconselhamento”. Estes programas procuram limitar os efeitos psicológicos e fisiológicos da doença cardíaca, reduzir o risco de morte súbita ou reenfarte, controlar os sintomas cardíacos, estabilizar ou reverter o processo aterosclerótico e aumentar o status psicossocial e vocacional dos doentes (FERREIRA, 2010).

Apesar dos benefícios conhecidos da RC, esta continua a ser sub-utilizada, estando Portugal em 2007 no penúltimo lugar da Europa, com menos de 3% dos doentes elegíveis reabilitados. Em 2009 existiam 18 centros de RC em todo o país, distribuídos essencialmente na região norte do país e na região da Grande Lisboa. O Hospital de Santarém dista assim, no presente momento, de cerca de 70 Km de um centro de RC.

Para dar resposta às necessidades dos nossos utentes, iniciámos o Projeto de Reabilitação Cardíaca no serviço intervindo inicialmente ao nível dos fatores de risco. Conscientes da dimensão pedagógica da nossa intervenção junto do utente e família, pretendemos exercer um papel de educadores no esclarecimento de dúvidas em relação aos fatores de risco de modo a que estes façam opções de forma esclarecida sobre os seus comportamentos de saúde futuros.

A evidência científica revela-nos que esta prática promove uma melhor adesão ao regime terapêutico, com redução efetiva da morbilidade e mortalidade e também redução dos custos com os cuidados de saúde, nomeadamente ao nível dos reinternamentos e principalmente por promover melhores resultados em saúde.

Neste sentido iniciamos o Projeto de intervenção ao nível dos fatores de risco com as seguintes formações:

  • Conhecimento sobre a doença da pessoa com Enfarte Agudo do Miocárdio
  • Diabetes Mellitus
  • Obesidade e Alimentação
  • Hipertensão arterial
  • Tabagismo
  • Dislipidémias
  • Sedentarismo e exercício físico