As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de doença e morte da população portuguesa.

A prevenção destas doenças é possível através da adoçao de uma alimentação adequada, tal como a Dieta Mediterrânica, e evitando o sedentarismo e o tabaco.

Nas últimas décadas houve alterações sociais e económicas que levaram a um aumento do sedentarismo (abandono do sector primário) e a uma alimentação muito calórica, com excessos de gordura saturada, sal, açúcares e, simultaneamente ao abandono progressivo da nossa dieta tradicional.

Estudos científicos revelaram que a população portuguesa é a mais sedentária da Europa e que as nossas crianças estão em segundo lugar em excesso de peso e obesidade.  Temos também um grande numero de doentes com hipertensão arterial e com colesterol elevado.

As doenças cardiovasculares são cada vez mais frequentes e constituem já um grave problema de saúde pública. Prevê-se que continuem a aumentar nas próximas décadas se não forem tomadas medidas para as evitar.

Uma das medidas fundamentais para combate às doenças cardiovasculares, pela sua eficácia, será a recuperação da nossa dieta tradicional à base de vegetais, frutas frescas, pão, azeite, utilização abundante de ervas aromáticas, frutos secos, peixe e vinho tinto (em doses moderadas). O que na essência constitui a Dieta Mediterrânica.

Em 1996, foi iniciado em Espanha um processo de validação da Dieta Mediterrânica, como um dos regimes alimentares com maiores benefícios para saúde, posteriormente apoiado pela Itália e Grécia. Ao longo deste processo foram realizados vários estudos científicos que vieram confirmar aqueles resultados. Perante estes factos e o manifesto impacto na saúde, em 2010 a Dieta Mediterrânica foi considerada Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Pela sua relevância esta atualmente a ser divulgada e promovida noutros países da Europa e nos Estados Unidos.

Um dos estudos mais importantes que comprovaram os seus benefícios foi o Estudo dos Sete Países, do Professor Ancel Keys da Universidade de Harvard. O estudo tinha por objetivo saber qual o papel da dieta mediterrânica na mortalidade global (por todas as causas) e na mortalidade por doença cardiovascular. As conclusões revelaram que os povos da Bacia do Mediterrâneo, apesar de terem um consumo elevado de gordura, sofriam menos de enfarte de miocárdio e que isso se devia ao tipo de gordura que consumem ser sobretudo gordura insaturada – o azeite.

Outros estudos científicos demonstraram os benefícios da dieta mediterrânica na prevenção   da doença cardiovascular e também de cancros e da doença de Alzheimer; das doenças renais; das infeções e do seu importante papel na diminuição da obesidade, do colesterol, da tensão arterial e da diabetes.

As mudanças sociais, levaram a uma redução e modificação do núcleo familiar; à incorporação da mulher no mercado de trabalho; a refeições rápidas e pré-cozinhadas, fora do horário e fora de casa (com uma menor dedicação à cozinha); à globalização do tipo de alimentação com consumo excessivo de carnes vermelhas, comidas pré-processadas, bebidas gasosas, leite gordo, manteigas e produtos de pastelaria.

Abandonámos a nossa dieta tradicional – a dieta mediterrânica – e perdemos os seus benefícios.

A recuperação dos nossos hábitos tradicionais alimentares deve acompanhar-se do combate ao sedentarismo pela adoção de um estilo de vida ativo.

As deslocações a pé para o trabalho, evitar o uso do elevador, uma marcha de 30 minutos diária são excelentes contributos para a nossa saúde.

Dra. Graça Ferreira da Silva
Médica Cardiologista
Sócia Fundadora da Associação Cardiológica do Ribatejo

A Dieta Mediterrânica

  • vegetais
  • frutas frescas
  • pão
  • azeite
  • ervas aromáticas
  • frutos secos
  • peixe
  • vinho tinto